28-02-2014
INFLUÊNCIA DA MASSOTERAPIA NO GANHO DE AMPLITUDE DE MOVIMENTO NA COLUNA VERTEBRAL

Por: Janaina Antoniazzi

Relatório de estágio profissionalizante apresentado ao Curso de Educação Física Licenciatura Plena, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciada em Educação Física.
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Silvana Corrêa Matheus
Santa Maria, RS, Brasil - 2007
Universidade Federal de Santa Maria
Centro de Educação Física e Desportos
Curso de Educação Física Licenciatura Plena
A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova o relatório de estágio profissionalizante como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em Educação Física.
______________________________________
Silvana Corrêa Matheus, Prof.ª Dr.ª (UFSM)
(Presidente/Orientador)
_____________________________________
Carlos Vanderlei Pukaleski, Prof. (CEPSC)
(Co-orientador)
_________________________________
Elizabete Costa Santos, Prof.ª (UFSM)
Santa Maria, 16 de janeiro de 2008.
 

AGRADECIMENTO
Agradeço à minha família, em especial à minha mãe, por me acolher e apoiar na decisão de me dedicar exclusivamente a esta pesquisa. Foi por ela a minha dedicação neste estágio profissionalizante.
Agradeço ao meu falecido pai por despertar em mim a paixão pelo conhecimento, combustível principal para a realização deste trabalho.
Ao meu namorado, Bruno, por estar sempre por perto, nos momentos bons e nos ruins, me dando força para não desistir no meio do caminho.
Às voluntárias desta pesquisa pela sua compreensão e colaboração, sem as quais eu não teria dado um passo à frente para a concretização deste trabalho.
Agradeço à professora Silvana por fazer jus ao papel de orientadora, sempre com críticas edificantes que só me fizeram crescer como pessoa e profissional. Sem ela este relatório não teria corpo.
Ao professor Carlos por me receber no Centro de Educação Profissional São Carlos, permitir o uso de seus espaços e instrumentos de pesquisa e dividir comigo o seu conhecimento em Massoterapia. Não fosse por ele esta pesquisa não teria saído do papel.

RESUMO

Relatório de Estágio Profissionalizante do Curso de Graduação em Educação Física Licenciatura Plena, da Universidade Federal de Santa Maria.
A INFLUÊNCIA DA MASSOTERAPIA NO GANHO DE AMPLITUDE DE MOVIMENTO ARTICULAR DA COLUNA VERTEBRAL
AUTORA: JANAINA ANTONIAZZI
ORIENTADORA: PROF.ª DR.ª SILVANA CORRÊA MATHEUS
CO-ORIENTADOR: PROF. CARLOS VANDERLEI PUKALESKI
Data e Local da Defesa: Santa Maria, 16 de janeiro de 2008.


Este estudo verificou possíveis correlações entre a utilização da Massoterapia Terapêutica Relaxante e a melhoria e/ou manutenção dos índices de amplitude de movimento articular da coluna vertebral de dezoito mulheres com idade entre 25 e 35 anos, que não se utilizassem de trabalho massoterápico nem possuíssem restrições quanto ao uso deste, não-parturientes e em condições normais de saúde. Sete voluntárias do grupo pesquisado foram submetidas a dez sessões de Massoterapia e outras duas a quinze sessões, sendo feitas: medição e pesagem antes da primeira sessão e novamente após a quinta, a décima e a décima quinta (quando houve) sessões. O grupo controle foi submetido a uma medição no início da pesquisa e a outra, quinze dias depois (tempo médio de duração de cinco sessões do grupo pesquisado). A flexibilidade é uma das variáveis da aptidão física relacionadas à saúde e representa um fator fundamental para o desempenho do corpo e do movimento mesmo nas atividades diárias que exijam um mínimo de mobilidade. A Massoterapia alonga a musculatura passivamente, pois seus métodos de massagem tratam diretamente do tecido conectivo e atuam nas mudanças de sua consistência e flexibilidade, afetando o componente da fibra por métodos mecânicos e alongando-o para além do âmbito elástico. Foram considerados quatro movimentos da coluna vertebral: extensão, flexão e látero-flexão direita e esquerda do tronco. Os resultados apresentados indicam que a Massoterapia pode contribuir com o aumento dos índices de flexibilidade da coluna vertebral, assim como mantê-los. Além disso, pode amenizar a sensação de dor dos pacientes, podendo até extinguí-la por completo, melhorar o funcionamento intestinal, a tensão e o estresse, proporcionando maior qualidade de vida e disposição física.
Palavras-chave: Massoterapia; amplitude de movimento articular; coluna vertebral.
 

LISTA DE ANEXOS
ANEXO A – Termo de Consentimento para realização de pesquisa 36
ANEXO B – Anamnese 37
ANEXO C – Questionário sobre estresse 38
ANEXO D – Questionário sobre dor 39
ANEXO E – Atestado I 40
ANEXO F – Avaliação parcial 41
ANEXO G – Atestado II 42
ANEXO H – Avaliação final 43
ANEXO I – Plano de atividades 44
 

SUMÁRIO
1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS 8
1.1 Descrição do Campo de Estágio 8
1.2 Descrição da Área de Estágio 9
1.3 Descrição do público-alvo 9
1.4 Objetivos da disciplina do estágio 10
1.5 Objetivos em relação ao Campo e Área de Estágio específico 11
1.6 Justificativa 11
2.1 Aprofundamento da literatura 12
2.1.1 Contexto histórico da massoterapia 12
2.1.2 Efeitos fisiológicos da massoterapia 13
2.1.2.1 Os efeitos fisiológicos da massagem sobre o sistema nervoso 14
2.1.2.2 Os efeitos da massagem sobre o tecido conectivo 14
2.1.2.3 Os efeitos da massagem sobre a circulação 15
2.1.3 A Massoterapia e o manejo da dor 15
2.1.4 Massoterapia: indicações e contra-indicações 16
2.1.4.1 Indicações para a massagem 16
2.1.4.2 Contra-indicações 16
2.1.5 A coluna vertebral 17
2.1.5.1 Descrição do envolvimento das estruturas em cada movimento adotado 18
2.1.6 A comprovação para a terapia manual vertebral e o exercício terapêutico 19
2.1.7 Flexibilidade 20
2.1.7.1 Componentes da flexibilidade 22
2.1.7.2 Por que avaliar a flexibilidade? 22
2.1.7.3 Como avaliar a flexibilidade? 23
2.1.8 Composição corporal 23
2.1.8.1 Como avaliar a composição corporal? 25
2.2 Desenvolvimento da pesquisa 25
2.2.1 Procedimentos de coleta de dados e tratamento 26
2.2 Apresentação dos resultados 29
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 31
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 32
ANEXOS 35

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
1.1 Descrição do Campo de Estágio
O Centro de Educação Profissional São Carlos (CEPSC) foi fundado no ano de 2003, na cidade de Cascavel, no Paraná, pelo professor Carlos Vanderlei Pukaleski, graduado em Educação Física e atualmente graduando em Direito e em Fisioterapia, visando oferecer cursos profissionais, principalmente na área da saúde e estética, e proporcionar qualidade de ensino a jovens e adultos da cidade e região.
O nome do CEPSC foi baseado em São Carlos Borromeu que fundou, na Itália, 740 escolas de catecismo com 3000 catequistas e 40000 alunos no século XVI. Fundou, além disso, seis seminários para formar sacerdotes bem preparados e redigiu para esses institutos regulamentos tão sábios que muitos bispos os copiaram para organizar seus próprios seminários.
 

Desde sua formação, o Centro vem se aprimorando quanto à estrutura, os recursos humanos e pedagógicos necessários para oferecer e priorizar o desenvolvimento integral dos cursos profissionalizantes, obedecendo ao processo de autorização e à legislação de ensino.
 

Como instituição de ensino de formação profissional, o CEPSC tem por finalidade oferecer a jovens e adultos uma educação profissional integrada às diferentes formas de ensino, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduzindo a um permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva do aluno, estimulando a criação cultural, o espírito científico e o pensamento reflexivo. O CEPSC não objetiva somente tornar seus alunos aptos para a sua inserção no mercado de trabalho, mas também para a participação no desenvolvimento da sociedade, promovendo o entendimento do homem em relação ao meio em que vive.
 

O Centro é um grande incentivador da ciência e da tecnologia, estimulando pesquisas e sua divulgação, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação, da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição de ensino a fim de desenvolver um processo educacional voltado à transformação do homem e da natureza em benefício coletivo.
 

Para tanto, oferece cursos de Massoterapia, Quiropatia/Quiropraxia, Acupuntura Auricular e Sistêmica, Estética Facial e Corporal, Quick Massagem/Massagem Laboral, Reflexoterapia, Shiatsuterapia, Reiki nível I, Tuiná, Fitoterapia, Florais de Bach, Cromoterapia, Alongamento e Flexibilidade, Oratória e Neurolingüística.
Possui 11 funcionários em seu quadro, entre professores e setores financeiro e administrativo.
 

Conta com outros pólos de ensino no Estado do Paraná: Toledo e Francisco Beltrão, onde são ministrados os mesmos cursos, pelos mesmos profissionais, porém somente um final de semana (sábado e domingo) por mês, das 08h às 17h, devido à organização dos horários da sede de Cascavel.
 

1.2 Descrição da Área de Estágio
O CEPSC localiza-se na Avenida Assunção, número 532, no Bairro Alto Alegre, na Cidade de Cascavel, Estado do Paraná. Por sua localização, próximo à rodoviária da cidade, viabiliza a vinda de alunos de todas as partes do Estado e também do Paraguai.
 

Seu horário de funcionamento é das 8h às 18h de segunda a sexta-feira e das 8h às 17h aos sábados e domingos, quando são ministrados os cursos oferecidos. Durante a semana, o CEPSC é voltado para o atendimento ao público, tirando dúvidas sobre os cursos e fazendo inscrições para os respectivos e também vendendo produtos, não só para os alunos, mas para todos os profissionais da área. Não é feito nenhum tipo de atendimento no Centro pelos profissionais formados por ele durante a semana; as dependências da instituição são destinadas às aulas práticas e teóricas, assim como a biblioteca, é utilizada somente para estudo complementar e desenvolvimento de pesquisas pelos alunos, profissionais do CEPSC e/ou estagiários. 
 

Possui, em sua área total, duas salas para aulas teóricas, com recursos audiovisuais, mobiliário, ventilação e iluminação adequados para tal; duas salas para aulas práticas também com mobiliário e equipamentos adequados para cada tipo de curso, inclusive ventilação e iluminação adequadas; biblioteca, com computadores com acesso à internet e mobiliário para estudo em grupo e/ou individual, vasto acervo de literaturas voltadas para a área da saúde e literatura em geral; cantina; banheiros e área comum externa para confraternização durante os intervalos dos cursos.
 

1.3 Descrição do público-alvo
“A flexibilidade é bastante específica para cada articulação, podendo variar de indivíduo para indivíduo e até no mesmo indivíduo com o passar do tempo.” (POR, 2007) 

 

Achour Jr. (1998) complementa dizendo que a flexibilidade é bastante semelhante entre meninos e meninas até os seis ou sete anos de idade; mas que, daí por diante, os indivíduos do sexo feminino tendem a ser mais flexíveis do que os do sexo masculino.
 

Essas diferenças se mantêm ao longo da vida e, devido às alterações hormonais, ao processo de envelhecimento e também aos padrões de atividade física e nível de saúde, elas podem se acentuar ainda mais (ACHOUR Jr, 1998).
 

Devido a esse conjunto de fatores, convencionou-se incluir no estudo, voluntárias que não fizessem uso de trabalho massoterápico nem possuíssem restrições quanto ao uso deste, não-parturientes, com idade entre 25 e 35 anos, situação na qual a mulher, em condições normais de saúde, não sofre influência excessiva dos hormônios e das condições geradas pela idade, já que os músculos, os tendões e as articulações ficam muito mais distensíveis e flexíveis na mulher grávida devido à produção de um hormônio placentário chamado relaxina, conforme descrito por Oliveira (2007); ele é liberado nessa fase com o objetivo de preparar todo o corpo para o parto deixando as articulações e ligamentos mais frouxos; e o fato de que, a partir de 30 ou 40 anos de idade, a flexibilidade diminui, mas essa característica é mais ou menos acentuada com a falta de treinamento, completa Moraes (2004).Dentro desses critérios foram selecionadas dezoito mulheres, dez para o Grupo Pesquisado (GP) e oito para o Grupo Controle (GC).
 

1.4 Objetivos da disciplina do estágio
Oferece oportunidade para o desenvolvimento de experiências práticas na área de Educação Física, contribuindo para o desenvolvimento de suas potencialidades, a fim de melhor prepará-lo para o exercício da profissão.
Ao proporcionar o estágio profissionalizante aos alunos, a Universidade Federal de Santa Maria tem a finalidade de promover a integração da disposição do espaço onde o aluno irá desenvolver seus conhecimentos, com a contribuição para uma análise de pontos fortes e fracos e propostas de melhorias para a Educação Física em si e para a Instituição. 


É conhecido que o espaço destinado para o estágio faculta ao acadêmico a disponibilidade de consolidar seus conhecimentos com os entraves que somente a prática por meio do dia-a-dia pode oferecer. A troca de experiência fará com que o novo profissional torne-se mais preparado para atuar em diferentes áreas e lide com a complexidade da realidade cotidiana.


1.5 Objetivos em relação ao Campo e Área de Estágio específico
Estudar a Massoterapia e seus efeitos gerais para o paciente a fim de melhorar e/ou manter os índices de flexibilidade dos movimentos ativos e passivos da coluna vertebral, contribuindo positivamente para o seu desempenho físico geral e para a qualidade de vida do indivíduo.


Conhecer e aprender a utilizar os diferentes instrumentos para coleta de dados, viabilizando pesquisas futuras e favorecendo o crescimento pessoal enquanto pesquisador.
Aprofundar os conhecimentos relativos ao desenvolvimento do desempenho físico dos indivíduos, atletas ou não, a fim de auxiliá-los na melhoria deste.
Através do desenvolvimento de uma pesquisa científica verificar os efeitos da Massoterapia sobre a amplitude de movimento articular da coluna vertebral de mulheres com idade entre 25 e 35 anos, em condições normais de saúde.


1.6 Justificativa
As pesquisas indicam que a maioria das pessoas que recebem massagem o faz porque lhes ajuda a se sentirem melhor. É difícil pesquisar cientificamente o termo “melhor”, por isso a importância de se buscar outras manifestações positivas do efeito da massagem, dando a elas aplicação prática, definindo e quantificando os efeitos fisiológicos da massagem, mostrando que ela pode desempenhar um papel importante em programas de prevenção, proporcionando um mecanismo natural para estimular o corpo a se ajustar ao estresse diário e restaurar o equilíbrio homeostático natural, contribuindo assim para a melhoria do desempenho físico geral. Sem contar que a facilitação manual do movimento dos fluidos do corpo pode ser uma opção terapêutica viável e significativa para pessoas incapacitadas de andar ou mesmo de sair da cama.


Há ainda a necessidade de se provar que a Massoterapia não pode somente aumentar os índices individuais de flexibilidade de quem faz uso dela, mas também pode conservar os índices já existentes.
Quando comprovada, essa influência poderá contribuir com estudos relacionados à manutenção da postura, melhora no desempenho físico geral e na qualidade de vida do indivíduo, já que este poderá executar desde os movimentos mais simples do dia a dia quanto os atos motores desportivos mais elaborados – no caso de um atleta – com menor gasto energético, menor desconforto ou dor e aumentando, assim, seu rendimento total. 


2 A INFLUÊNCIA DA MASSOTERAPIA NO GANHO DE AMPLITUDE DE MOVIMENTO NA COLUNA VERTEBRAL
2.1 Aprofundamento da literatura
2.1.1 Contexto histórico da massoterapia

Baseada em Clay & Pounds (2003):
A Massoterapia é reconhecida como um dos mais antigos métodos de tratamento, com referência em textos médicos com aproximadamente 4.000 anos. De fato, Hipócrates, conhecido como o pai da Medicina, disse a respeito de massagem no Século IV a.C.: "O médico deve se familiarizar com várias coisas, e certamente com esfregar (massagem)".


Na realidade, massoterapia é muito mais que esfregar. É pressionar, apertar, bater, comprimir, vibrar, balançar, friccionar, entre várias outras técnicas. Há registros históricos do uso da Massoterapia Clínica na China 1000 anos a.C., na Índia no início do século III a.C., na Grécia do século V a.C. e também em Roma no século I a.C. Sua prática caiu em desuso no mundo ocidental desde o declínio de Roma até o século XVIII, quando o Iluminismo renovou o interesse na exploração das fronteiras do conhecimento médico. No início do século XIX, Per Henrik Ling desenvolveu um sistema de massagem e exercícios médicos que deu origem à Fisioterapia. Nos dois últimos séculos, duas outras abordagens também contribuíram significativamente com a formulação da Massoterapia Clínica: a manipulação articular e a manipulação direta dos tecidos moles.

 

Devido à complexidade do organismo humano, foram desenvolvidas várias abordagens de tratamento manual dos tecidos moles, como a Medicina Ocidental Tradicional, a Manipulação Articular, a Fisioterapia e a Manipulação Direta dos Tecidos Moles, sendo esta última o principal campo da Massoterapia Clínica.
Greenman (2001) define que o trabalho corporal eficiente é atingido quando métodos de massagem interagem com processos fisiológicos. Como a massagem tem processos fisiológicos demonstráveis, esses efeitos podem ser estudados através de métodos científicos. A qualidade subjetiva (empírica) da massagem complica a questão da pesquisa devido à complexidade dos seres humanos e da dinâmica de interação entre paciente e profissional, que afeta os resultados da massagem.


Alguns estudos feitos no Touch Research Institute da Escola de Medicina da Universidade de Miami, citados por Clay & Pounds (2003), demonstraram que a massagem apresenta muitos benefícios. Entre eles:
• Alivia a dor e aumenta o âmbito de movimento em indivíduos com problemas lombares;
• Melhora a função imunológica;
• Abaixa a pressão sangüínea e reduz a ansiedade;
• Aumenta o desempenho no trabalho, aumentando a atenção e o aprendizado;
• Melhora a preensão manual, as atividades funcionais, o estado de ânimo positivo, a auto-estima e a imagem do corpo;
• Tem efeito terapêutico também no profissional que aplica a massagem, reduzindo o estresse e melhorando seu padrão de sono.
Outras pesquisas também podem contribuir para a validação da massagem enquanto intervenção terapêutica e provar que a massagem é benéfica, mas por quê? Através de que mecanismos derivam os benefícios do trabalho corporal?


As técnicas manuais de massagem são fisiologicamente específicas e bem definidas pelo modo de aplicação (esfregar, puxar, pressionar e tocar); a velocidade e a profundidade da pressão (sustentada ou lenta, rítmica, intervalada ou rápida); a intensidade do toque (leve, profundo ou uma combinação dos dois); e a parte do corpo do terapeuta usada para aplicar as técnicas (dedos, mãos, antebraço ou joelho), conforme descrições de Fritz (2002 apud CLAY & POUNDS, 2003). As técnicas da massagem terapêutica e outros tipos e estilos de trabalho de corpo são, segundo Fritz (2002 apud CLAY & POUNDS, 2003) meras variações da aplicação fundamental de manipulações manuais, que proporcionam estimulação sensorial externa. Os benefícios das técnicas são, portanto, o resultado de efeitos fisiológicos básicos.


2.1.2 Efeitos fisiológicos da massoterapia
De acordo com Greenman (2001), os conceitos fundamentais que explicam os efeitos da massagem terapêutica podem ser divididos em duas categorias: métodos reflexos e métodos mecânicos.
Os métodos reflexos estimulam o sistema nervoso, o sistema endócrino e as substâncias químicas do corpo. Já que um reflexo é uma resposta involuntária a um estímulo, ele pode ser proporcionado pela massagem.


Os métodos mecânicos afetam diretamente o tecido mole por meio de técnicas que normalizam o tecido conectivo ou movem os fluidos do corpo e o conteúdo intestinal.
Segundo Greenman (2001), o problema com essa categorização simples é que o mecanismo pelo qual a massagem produz um efeito nem sempre pode ser identificado com clareza, já que os efeitos da massagem ocorrem através dos inter-relacionamentos dos sistemas nervosos central e periférico, do sistema nervoso autônomo e do controle neuroendócrino.


As áreas anatômicas e fisiológicas afetadas pela massagem são:
• O sistema neuroendócrino (os sistemas nervosos central, autônomo e somático, bem como as substâncias neuroquímicas e os hormônios)
• O tecido conectivo
• A circulação.


2.1.2.1 Os efeitos fisiológicos da massagem sobre o sistema nervoso
As respostas à massagem e seus efeitos sobre o sistema nervoso são principalmente reflexas.
O sistema nervoso responde aos métodos de massagem terapêutica por meio da estimulação dos receptores sensoriais, resultando numa mudança de impulsos motores, com mais freqüência no sistema nervoso periférico, restabelecendo, assim, a homeostase. Essa auto-regulação está interligada com todas as funções do corpo, afeta e é afetada pelas glândulas endócrinas. As respostas emocionais são prolongadas e duram mais tempo do que os estímulos que lhes deram início devido à “pós-descarga” do sistema límbico, de acordo com as descrições de Fritz (2002 apud CLAY & POUNDS, 2003).


Greenman (2001) afirma que todos os métodos de massagem são eficazes; o resultado específico depende da comunicação precisa com o receptor sensório somático. É uma linguagem de pressão, tração e movimento.
2.1.2.2 Os efeitos da massagem sobre o tecido conectivo
Estudos relatados por Clay & Pounds (2003) indicam que a massagem pode reduzir a formação de aderências e cicatrizes que muitas vezes resultam de ferimentos no tecido mole. Os métodos de massagem que tratam diretamente do tecido conectivo atuam nas mudanças de sua consistência e flexibilidade. O componente da fibra é afetado por métodos mecânicos que alongam as fibras para além do âmbito elástico (ou seja, para além da amplitude normal). Isso cria uma soltura e um desemaranhamento das fibras ou uma pequena resposta inflamatória terapêutica (benéfica e controlada) que sinaliza mudança nas fibras.


A massagem estimula o reflexo cutâneo-visceral (pele para órgãos) e, junto com caminhos reflexos autônomos e respostas endócrinas, produz reações no corpo inteiro; essas reações incluem melhora local do fornecimento de sangue nos tecidos de superfície da área tratada, conforme descrevem Clay & Pounds (2003).
 

2.1.2.3 Os efeitos da massagem sobre a circulação
Greenman (2001) afirma que o aumento na circulação de sangue e linfa são os efeitos mais amplamente reconhecidos da massagem; ele se dá pela compressão de tecidos, pela estimulação da liberação de vasodilatadores e pelos reflexos vasculares autônomos.


Embora seja verdade que são movimentados mais fluidos do corpo com uma caminhada de 5 minutos do que com uma massagem de 50 minutos, como citou Yates (1990 apud CLAY & POUNDS, 2003), a facilitação manual do movimento dos fluidos do corpo pode ser uma opção terapêutica viável e significativa para pessoas incapacitadas de andar ou mesmo de sair da cama.


2.1.3 A Massoterapia e o manejo da dor

A dor é conseqüência de algum distúrbio em algum órgão ou sistema do nosso organismo. Múltiplas causas podem dar origem à dor; desde ferimentos leves, inflamações até fraturas e alterações na função de um órgão ou na circulação sangüínea, entre outras. Essa dor gera sofrimento e o sofrimento é um sentimento negativo que prejudica a qualidade de vida do indivíduo. (CLAY & POUNDS, 2003)
A maioria das pessoas sente dor em formas menos severas em certas ocasiões durante a vida. A massagem pode proporcionar alívio sintomático temporário da dor moderada provocada pelo estresse cotidiano, substituindo os medicamentos para dor que não necessitam de prescrição médica e reduzindo seu uso. (CLAY & POUNDS, 2003).


A dor aguda e a dor crônica são tratadas de maneiras um pouco diferentes; portanto, é importante fazer distinção entre as duas. No caso de dor aguda, a intervenção é enfocada para dar suporte a um processo de cura corrente. A dor crônica é tratada com alívio de sintoma ou com uma abordagem de reabilitação mais agressiva que incorpora um processo de mudança terapêutica. Por esse motivo, considera-se pertinente o conhecimento das indicações e contra-indicações para a massagem.


2.1.4 Massoterapia: indicações e contra-indicações
2.1.4.1 Indicações para a massagem
As indicações para massagem são baseadas em seus benefícios objetivos e subjetivos que realçam a saúde; isto é, alguns resultados da massagem podem ser medidos (objetivos) e outros se supõe que sejam eficientes com base na experiência (subjetivos). Os efeitos podem ser tanto físicos (observação objetiva, medida fisicamente) como mentais (relato de percepção subjetiva).
Opta-se, nesta pesquisa, por considerar ambos os aspectos devido à influência significativa destes, apesar das percepções subjetivas serem únicas do indivíduo e, por esse motivo, difíceis de serem medidas.


Clay & Pounds (2003) afirmam que a massagem terapêutica é benéfica em casos de inflamação prolongada, já que ativa uma liberação de agentes antiinflamatórios do próprio corpo; determinados tipos de massagem aumentam o processo inflamatório num pequeno grau, acionando o corpo para completar o processo; pode facilitar a diluição e remoção do irritante por meio de aumento do fluxo linfático.


2.1.4.2 Contra-indicações
Conforme descrito por Greenman (2001), contra-indicação é qualquer problema que torne um tratamento específico impróprio ou indesejável, ou quando existem advertências em relação ao tratamento e é necessária uma supervisão. As contra-indicações podem ser regionais ou gerais. Regionais são aquelas que se relacionam com uma área específica do corpo, significando que a massagem pode ser feita, mas não em área problemática. Gerais são aquelas que requerem uma avaliação do médico antes de serem indicadas.


As principais contra-indicações para a terapia manual são (CLAY & POUNDS, 2003): artrites agudas de todo tipo, inclusive e principalmente as reumatóides; hipermobilidade e/ou instabilidade; fraturas; malignidades; osteoporose grave; doenças infecciosas; dor não diagnosticada; saúde geral debilitada; etc.


2.1.5 A coluna vertebral
A coluna vertebral faz ligação entre os membros inferiores e superiores, segundo Hall (1991 apud SILVA, 2005), protege a medula espinhal e permite movimentos. Sua estrutura óssea dá sustentação e postura ao corpo humano (DOMINGUES FILHO, 2001). É composta por 33 vértebras, sendo 7 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais fundidas e 4 coccígeas (SILVA, 2005).


A estabilização da coluna vertebral se dá, principalmente, pelo fortalecimento da fáscia toracolombar, da linha alba, do oblíquo interno quando contraído (origina-se da fáscia toracolombar e insere-se, em parte, na linha alba) e do transverso abdominal, que é o primeiro músculo a ser ativado para a estabilização da coluna vertebral durante movimentos em qualquer direção, tanto nos membros inferiores quanto superiores, já que atua como estabilizador da linha alba. (CAMPOS, 2002). 


O volume dos corpos vertebrais aumenta progressivamente da região cranial para a caudal, o que demonstra uma adaptação do ser humano às cargas impostas à coluna ao longo do seu eixo. São estruturas irregulares, com características relacionadas à sua função. (SILVA, 2005)


As vértebras da coluna lombar são diferentes das vértebras das outras regiões da coluna vertebral. O elemento anterior ou corpo da vértebra é responsável pelo tamanho, altura e sustentação de sobrecarga de compressão aplicada à coluna vertebral. O elemento posterior tem como função geral a regulação das forças ativas e passivas aplicadas à coluna vertebral e, por tal fato, controla o movimento. Os processos espinhosos, transversos e acessórios proporcionam locais de inserção dos músculos e constituem alavancas que melhoram a ação dos músculos ali inseridos. Os processos transversos são locais de fixação para os músculos eretores da coluna, quadrado lombar e ílio psoas. (CAMPOS, 2002). 


Conforme descrito por Rasch (1991 apud SILVA, 2005), as dores lombares geralmente resultam de espasmos musculares e podem ser agravadas pela compressão dos nervos espinhais ou anormalidade dos discos vertebrais, responsáveis por amortecer os impactos articulares e dar mais mobilidade à coluna vertebral como um todo. Kendall & McCreary (1987 apud SILVA, 2005) alertam que as atividades diárias, sejam ocupacionais ou de lazer, quando repetitivas, freqüentes e em posturas comprometedoras, podem acarretar problemas posturais. Essas atividades podem exigir posturas que impõem tensões contínuas a determinados grupos musculares e outras que podem evitar o uso desses ou de outros grupos, vindo a contribuir para o aumento da fraqueza por desuso.


Os movimentos da coluna vertebral são flexão, extensão, hiperextensão, rotação, látero-flexão e circundução, com variação de amplitude de acordo com cada região.
Para este estudo, foram considerados somente os movimentos de flexão, extensão e látero-flexão do tronco. O movimento de hiperextensão foi descartado por se tratar, segundo Barbanti (1997 apud SILVA, 2005), de uma extensão contínua da articulação para além dos limites normais de movimento para tal articulação. Pode, inclusive, haver possibilidade de lesões dos processos espinhosos, já que, conforme Campos (2002), estes fazem parte das estruturas que restringem este movimento da coluna vertebral.

 

O movimento de rotação foi igualmente desconsiderado, levando-se em conta a orientação de Campos (2002) que diz que esse movimento é sempre combinado com a flexão lateral e essa combinação implica alto risco de lesão para a coluna lombar quando executada por indivíduos inexperientes, devido ao fato da contração muscular permanecer como único fator de estabilização na rotação e o maior fator de proteção da coluna lombar. Ainda segundo o autor, um indivíduo com maiores condições de realizar o movimento de maneira adequada, pode proporcionar estabilidade à coluna lombar e diminuir significativamente os riscos de lesão durante o movimento.
 

2.1.5.1 Descrição do envolvimento das estruturas em cada movimento adotado
Flexão: esse movimento é realizado no plano sagital sobre o eixo frontal. A flexão da coluna lombar é limitada tanto pelas estruturas contráteis quanto pelas estruturas inerentes. Os músculos eretores da coluna controlam a flexão a partir da postura vertical, com uma contração excêntrica. Campos (2002) cita que a falta de elasticidade desses músculos limita a amplitude de flexão da coluna lombar e torácica; e que, os oblíquos externos, por sua contração bilateral, flexionam a coluna lombar e, em conjunto com as fibras laterais do oblíquo interno do mesmo lado, flexionam lateralmente a coluna vertebral. 


Quando a espinha ilíaca ântero-superior desloca-se posteriormente em relação à sínfise púbica, ocorre uma retroversão da pelve, flexão da coluna lombar e uma extensão do quadril. Schwarzenegger (2001) descreve que, com a pelve fixa, o reto abdominal realiza flexão da coluna vertebral ao puxar o esterno em direção à pelve. Thompson & Floyd (1997 apud SILVA, 2005) completam afirmando que o reto abdominal flexiona lateralmente a coluna lombar.


Quando fixo, o ílio psoas também ajuda na flexão do tronco, conforme Arnheim & Prentice (2000 apud SILVA, 2005).
Extensão: é realizada no plano sagital sobre o eixo frontal. Esse movimento é bem acentuado nas regiões cervical e lombar e é limitado na região torácica, parcialmente porque os discos vertebrais são mais finos nessa região da coluna e devido aos efeitos do esqueleto e da musculatura torácica. O transverso abdominal é o principal músculo responsável por elevar a pressão intra-abdominal durante a extensão, portanto, sua fraqueza possibilita a protusão da parede abdominal, podendo aumentar indiretamente a lordose lombar e diminuir a capacidade de suportar sobrecarga (SILVA, 2005).


Flexão lateral: é a inclinação de qualquer das áreas da coluna para uns dos lados (DOMINGUES FILHO, 2001). Os movimentos laterais ocorrem em qualquer parte da coluna. Campos (2002) relata que, quando a espinha ilíaca ântero-superior fica mais alta de um lado do que do outro, chama-se inclinação lateral da pelve, ocorrendo flexão lateral da coluna lombar, com abdução de uma articulação do quadril e adução da outra. Thompson & Floyd (1997 apud SILVA, 2005) ressaltam que o quadrado lombar é importante no movimento de flexão lateral do tronco e que o reto abdominal flexiona lateralmente a coluna lombar.


2.1.6 A comprovação para a terapia manual vertebral e o exercício terapêutico
Jules M. Rothstein publicou na revista Physical Therapy (1992, p.12 apud MAKOFSKI, 2006):
Ao analisar a utilização generalizada da terapia manual e minhas próprias preferências pessoais para muitas técnicas manuais, é com tristeza que observo como a grande edificação da terapia manual foi construída sobre o mais trêmulo dos alicerces. (...) Isso significa que, gostemos ou não, a aceitação da terapia manual (...) baseia-se em observações empíricas e em uma crença compartilhada, uma crença que existe, apesar da falta de comprovação.
A fim de demonstrar que a terapia manual não foi construída sobre “o mais trêmulo dos alicerces” apresenta-se aqui um estudo representativo sobre aspectos da atividade prática da terapia manual vertebral e do exercício terapêutico com ênfase nos resultados dos pacientes.
Considerando-se que o objetivo da manipulação consiste em “restaurar a amplitude máxima para o equilíbrio postural de modo indolor”, o estudo de Schenk et al. (1997 apud MAKOFSKI, 2006) com seu enfoque na amplitude de movimento, é particularmente relevante acerca dos resultados obtidos pelos pacientes. Os pesquisadores incluíram 26 indivíduos com extensão limitada da coluna lombar. Os indivíduos foram distribuídos aleatoriamente para o grupo de tratamento, que consistia em oito homens e cinco mulheres, ou para o grupo-controle, que consistia em cinco homens e oito mulheres. A faixa etária média dos indivíduos era de 25 anos.
 

O estudo era um projeto pré-teste-pós-teste destinado a comparar os efeitos da técnica de energia muscular (TEM) sobre a mobilidade de extensão lombar no grupo de tratamento versus o grupo-controle. A variável independente era a aplicação da TEM osteopática; a variável dependente era a mudança na amplitude de movimento da extensão coluna lombar. A extensão lombar foi mensurada com o inclinômetro de bolha, semelhante ao fleximeter, com o qual a confiabilidade intra-avaliadores e interavaliadores para a extensão lombar era r = 0,93 e r = 0,89, respectivamente. (SCHENK et al., 1997 apud MAKOFSKI, 2006)
 

O grupo de tratamento era submetido a oito sessões de TEM (duas vezes por semana, durante quatro semanas), realizadas por um ortopedista graduado, que era também qualificado em fisioterapia ortopédica. Por ocasião da conclusão do tratamento, todos os indivíduos foram reexaminados para identificar possíveis mudanças na extensão da coluna lombar. O teste em um grupo independente revelou um aumento estatisticamente significativo na amplitude de movimento da extensão lombar naqueles que haviam sido tratados com terapia manual versus aqueles sem essa terapia. A amplitude média da extensão lombar para o grupo de tratamento era de 13,8 graus no pré-teste e de 20,7 graus no pós-teste. A amplitude média de extensão lombar para o grupo-controle era de 17,1 graus no pré-teste e de 16,7 graus no pós-teste. (SCHENK et al., 1997 apud MAKOFSKI, 2006)


Este estudo demonstra a possibilidade de uma intervenção bem executada com terapia manual poder melhorar de maneira significativa a extensão lombar prejudicada. O estudo de Schenk et al. (1997 apud MAKOFSKI, 2006) fornece comprovação em favor da manipulação terapêutica. Acredito que, se aplicado a um grupo sem problemas lombares, o resultado possa ser ainda melhor.
 

2.1.7 Flexibilidade
De acordo com Achour Jr. (1998), a flexibilidade é definida operacionalmente como a amplitude máxima de movimento voluntário em uma ou mais articulações, sem lesioná-las; é uma das variáveis da aptidão física relacionada à saúde e representa um fator fundamental para o desempenho do corpo e do movimento, seja em modalidades desportivas, cênicas ou em atividades simples do cotidiano. Segundo o mesmo autor, em relação aos desportos, os principais estudos na área têm demonstrado a importância da flexibilidade para o desempenho das outras capacidades físicas, cooperando para um menor gasto energético quando há uma amplitude de movimento adequada do atleta. Bompa (2002) explana a idéia de que a flexibilidade no treinamento desportivo é um pré-requisito para um atleta desempenhar habilidades com alta amplitude e aumentar a facilidade com que possa realizar movimentos rápidos.


Conforme Dantas (2003), flexibilidade é a qualidade física responsável pela execução voluntária de um movimento de amplitude angular máxima, por uma articulação ou conjunto de articulações, dentro dos limites morfológicos, sem o risco de provocar lesões.
Guedes & Guedes (2006) informam que níveis específicos de flexibilidade resultam da complacência ou da propriedade de mobilidade das articulações. Isso quer dizer que envolve, simultaneamente, a elasticidade dos músculos esqueléticos, a plasticidade dos ligamentos e tendões e a maleabilidade da pele. Johns & Wright (1962 apud GUEDES & GUEDES, 2006) referindo-se à contribuição relativa dos tecidos moles na limitação dos movimentos articulares, atribuem à cápsula articular 47%, aos músculos esqueléticos e seus envoltórios 41%, aos tendões e ligamentos 10% e à pele 2%.


A idade, o sexo e a presença de anomalias neuromusculares constituem, segundo Guedes & Guedes (2006), outro grupo de fatores que potencialmente podem influenciar nos níveis de flexibilidade. Segundo estes autores, quanto mais jovem o avaliado, em tese, pressupõe-se um nível de flexibilidade mais elevado por conta de maior quantidade de tecido cartilaginoso nas regiões articulares; também tendões, ligamentos e fáscias musculares são particularmente suscetíveis de aumento de suas espessuras com o avanço da idade, o que pode inibir a capacidade de alongamento desses tecidos. Corbin & Lindsey (1997 apud GUEDES & GUEDES, 2006) apontam, ainda, que as mulheres tendem a ser mais flexíveis que os homens devido ao fato de, em geral, apresentarem menor quantidade de massa muscular.


A temperatura ambiente e os procedimentos associados à preparação prévia para a realização dos movimentos de amplitude articular podem auxiliar na elevação da temperatura do corpo que, por conseqüência, conforme descrito por Guedes & Guedes (2006, p. 419), “com maior irrigação sanguínea periférica, pode promover maior extensibilidade das fibras musculares, ocasionada pelo estímulo intrafúsico, e, dessa forma, favorecer os níveis de flexibilidade”.


Evidências experimentais, citadas por Wright & Johns (1960 apud GUEDES & GUEDES, 2006), sugerem que, ao se elevar a temperatura das articulações para 45° C, pode ser observado acréscimo de 20% na amplitude dos movimentos articulares, enquanto que a redução dessa temperatura para 18° C pode induzir a uma diminuição média de 10 a 20% na amplitude de movimento das mesmas articulações.


2.1.7.1 Componentes da flexibilidade
Com relação à sua caracterização, Guedes & Guedes (2006) decompõem a flexibilidade em dois componentes básicos: estático e dinâmico.
No presente trabalho foi desconsiderado o componente dinâmico, que “refere-se à oposição ou à rigidez oferecida aos movimentos realizados em determinada amplitude articular” (GUEDES & GUEDES, 2006, p. 422) e dada exclusiva atenção ao componente estático da flexibilidade, que faz referência à amplitude máxima dos movimentos articulares de uma articulação específica ou de um conjunto de articulações.


Para a realização de movimentos que possam solicitar o componente estático da flexibilidade, convencionou-se estabelecer três diferentes procedimentos direcionados ao alongamento dos músculos esqueléticos associados a uma articulação específica ou a um conjunto de articulações envolvidas no movimento: passivo, assistido e ativo, conforme descrito por Guedes & Guedes (2006).


Foram priorizados para esta pesquisa, os movimentos passivos e ativos, pois, de acordo com Guedes & Guedes (2006, p.422) eles “podem fornecer informações a respeito da quantidade de movimento permitido pela estrutura articular (passivo) em relação à capacidade do avaliado em produzir movimento na articulação (ativo)”, facilitando sua comparação entre si.


Lembrando que a flexibilidade passiva é sempre maior que a ativa e, de acordo com Estrela (2006), essa diferença entre as duas é chamada “reserva de flexibilidade” e representa a possibilidade de melhora da flexibilidade ativa através do fortalecimento da musculatura agonista e pela maior capacidade de alongamento dos antagonistas.


2.1.7.2 Por que avaliar a flexibilidade?
Na idade adulta começa a haver um declínio significativo da flexibilidade, conforme relata Achour Jr. (1997), já que no envelhecimento forma-se maior número de ligações de colágeno intra e intermolecular, o que dificulta o “deslizamento” das proteínas. O tecido fica mais denso, menos extensível e mais propenso a romper-se, complementa Turek (1991 apud ACHOUR JR., 1998). “Dessa forma, o tecido combina a elasticidade com a fraqueza.” (RENSTRON, 1993 apud ACHOUR JR., 1998, p. 38), pois diminui o tamanho e a quantidade do tecido colágeno, aumentam as ligações cruzadas, diminuindo sua elasticidade, enfraquecendo o tecido muscular e aumentando proporcionalmente a elastina, completa Achour Jr. (1998).


A avaliação periódica da flexibilidade permite constatar as possíveis alterações na amplitude de movimento articular do indivíduo podendo, assim, propor exercícios apropriados para a diminuição de eventuais perdas nos índices e/ou para sua manutenção, conforme a necessidade.


2.1.7.3 Como avaliar a flexibilidade?
Guedes & Guedes (2006) indicam que as informações utilizáveis na avaliação da flexibilidade devem incluir medidas da amplitude de movimento em articulação específica ou em um conjunto de articulações que procuram indicar a capacidade das estruturas articulares envolvidas em alongar-se em seu limite fisiológico, levando em conta as eventuais restrições impostas por aspectos morfofuncionais decorrentes da anatomia articular.


Existem vários instrumentos que se propõem avaliar a flexibilidade estando entre eles o flexômetro é um instrumento de medida angular indireta da flexibilidade; foi idealizado por Leighton há, aproximadamente, 50 anos, segundo Guedes & Guedes (2006, p.444). 


Esse equipamento consiste de uma escala de medida em círculo completo de 360°, com agulha de gravidade em seu centro, que se move livremente, acompanhada de velcro para fixação ao segmento articular a ser medido. Seu funcionamento baseia-se no controle da amplitude do movimento articular pela gravidade. Assim, ao fixar o flexômetro ao segmento articular que está sendo medido, na posição inicial do movimento a agulha de gravidade e o ponto zero da escala de medida coincidem, e a escala de medida do flexômetro está posicionada paralelamente à articulação em sua posição neutra. Ao realizar o movimento articular, a agulha de gravidade se move na escala de medida e aponta o deslocamento angular ocorrido.


Para a identificação do componente estático da flexibilidade, foi considerada a orientação de Guedes & Guedes (2006, p.422) que diz que “as unidades musculotendinosas devem ser alongadas, lentamente e de maneira progressiva, até o alcance de seus limites máximos, definindo-se assim a amplitude articular alcançada pela permanência, por algum tempo, na posição assumida.”. A indicação de Bloomfield et al. (1994 apud ACHOUR JR., 1997) vem complementar o procedimento adotado nesta pesquisa, sugerindo que se faça dois testes para cada articulação, anotando-se o maior valor.


2.1.8 Composição corporal
A gordura corporal localizada nos tecidos subcutâneos, particularmente quando aumentada de maneira excessiva, também pode representar importante fator de restrição mecânica para o alcance de maior amplitude articular na execução de determinados movimentos por causa do contato de segmentos adjacentes do corpo (GUEDES & GUEDES, 2006).


Indivíduos com sobrepeso normalmente são sedentários, pois o excesso de peso da massa corporal torna-se um obstáculo para a aquisição de um estilo de vida mais ativo, sendo que o sedentarismo aumenta com a probabilidade de morbidades comuns ao excesso de peso. Segundo Fachini et al. (2006), a obesidade e um estilo de vida fisicamente inativo são fatores que fazem prevalecer as doenças crônicas, tais como: doenças cardiovasculares, renais, digestivas, diabetes, problemas hepáticos e ortopédicos, podendo levar também à morte prematura. De acordo com esses autores, a incidência dessas doenças é quatro vezes maior entre mulheres obesas quando comparados à população não-obesa.


A inclusão do desenvolvimento de atividades de flexibilidade torna-se necessária para prevenir lesões e garantir a realização de tarefas diárias, como cortar as unhas dos pés, pentear o cabelo, amarrar o tênis, tomar banho, sem precisar de ajuda, orienta Leite (1996 apud FACHINI et al., 2006). Um trabalho de flexibilidade é muito importante na manutenção da saúde, pois níveis de flexibilidade favoráveis aumentam a eficiência dos movimentos.


A flexibilidade pode influenciar vários aspectos do movimento humano, entre eles destaca-se o aperfeiçoamento motor, a eficiência mecânica, a profilaxia de lesões, a expressividade e consciência corporal (ALTER, 2001 apud FACHINI et al., 2006).
Dados encontrados na literatura (ALLSEN et al., 2001 apud FACHINI et al., 2006) reforçam que maiores níveis de gordura corporal tendem a diminuir o grau de flexibilidade e que a flexibilidade da coluna vertebral diminui de 30 a 50% entre 20 e 60 anos.

 

Em contrapartida, neste estudo os autores atribuem à questão da prática regular de exercício, incluindo exercícios de alongamento diariamente, um melhor desempenho de pessoas com sobrepeso em exercícios que requerem flexibilidade. Complementando a análise, Shiromoto et al. (2002 apud FACHINI et al., 2006) verificaram um aumento significativo na flexibilidade, em ambos os sexos, concluindo que o estilo de vida e o tipo de profissão podem interferir de forma negativa; porém, a prática regular e simultânea de exercícios resistidos e alongamentos parece ser o fator predominante no desenvolvimento da flexibilidade e dos níveis de aptidão física desejáveis para a saúde e, nesse caso, não sofrem tão grande influência pelo percentual de gordura corporal do indivíduo.


2.1.8.1 Como avaliar a composição corporal?
Há muitos instrumentos para avaliação da composição corporal. Dentre eles, alguns são mais dispendiosos e de limitada aplicação prática, outros menos rigorosos e menos dispendiosos e, apesar da menor rigorosidade, os resultados obtidos com a sua aplicação apresentam erros de estimativa em limites aceitáveis (GUEDES & GUEDES, 2006). Nesse último caso, a bioimpedância elétrica é um dos instrumentos mais amplamente utilizados.


Guedes & Guedes (2006) descrevem esse instrumento como uma técnica que produz informações sobre a impedância que o corpo humano oferece à condução de uma corrente elétrica. Seu princípio básico refere-se aos diferentes níveis de condutibilidade elétrica dos tecidos biológicos expostos a várias freqüências de corrente. Dessa forma, Baumgartner (1996 apud GUEDES & GUEDES, 2006) diz que, com informações a respeito da impedância elétrica ou de alguns de seus parâmetros, pode-se estimar a quantidade de água corporal e, admitindo-se valores constantes, a proporção de gordura corporal e de massa isenta de gordura.


Apesar da relativa facilidade e rapidez da medida, a utilização desse método requer um conjunto de procedimentos prévios por parte do avaliado e sem os quais, poderão ocorrer prejuízos referentes à qualidade das informações. (LUKASKI et al., 1986 apud GUEDES & GUEDES, 2006). Entre os procedimentos sugeridos e adotados nesta pesquisa estão: ter-se abstido da prática de atividades físicas intensas nas últimas 24h, urinar pelo menos 30 minutos antes da medida, dispensar o uso de peças de metal (brincos, relógios, pulseiras, anéis, etc.) e procurar controlar a temperatura cutânea através do controle da temperatura da sala durante a coleta dos dados. Além desses cuidados, o nível de hidratação do avaliado, o estágio do ciclo menstrual e o horário da coleta podem apresentar alguma influência na qualidade das informações, porém não foram observados neste caso, devido à dificuldade de seu controle por parte do pesquisador.


2.2 Desenvolvimento da pesquisa
Com base no que foi exposto anteriormente propôs-se como problema de  investigação: qual a influência do trabalho massoterápico sobre a amplitude do movimento articular da coluna vertebral de mulheres não-parturientes, com idade entre 25 e 35 anos, em condições normais de saúde?
 

2.2.1 Procedimentos de coleta de dados e tratamento
Existem várias técnicas de massagens e existem muitas maneiras diferentes de se utilizar as variadas técnicas da Massoterapia; as básicas são a compressão, o deslizamento em faixas, a fricção transversal e o alongamento passivo. Essas quatro técnicas foram utilizadas combinadas com toques profundos de pressão sustentada e um ritmo leve e intervalado, caracterizando a Massoterapia Terapêutica Relaxante.


Durante a organização da pesquisa, notou-se a necessidade de um único profissional de Massoterapia realizar o trabalho corporal com as voluntárias, já que todas deveriam receber o mesmo tipo de tratamento. Como concluí o curso de Massoterapia no ano de 1998, eu mesma assumi o trabalho massoterápico e, sob a orientação constante do professor Carlos Pukaleski, teve início um processo de treinamento das técnicas que seriam utilizadas para o trabalho massoterápico, assim como da utilização dos instrumentos de coleta dos dados. Esse processo durou duas semanas. 


Foi feita uma divulgação prévia no CEPSC sobre o tipo de pesquisa a ser efetuada e quais as restrições de sexo, idade e condição de saúde para participar dela. As voluntárias procuraram informações no próprio CEPSC e foram selecionadas dezoito voluntárias, dez para o grupo pesquisado (GP) e oito para o grupo controle (GC).


Antes do início da aplicação do trabalho corporal, foi solicitado às dezoito voluntárias que preenchessem um termo de consentimento (ANEXO A), especificando os termos gerais para execução da pesquisa. Foram preenchidos por elas, também, formulários de informações pessoais (ANEXO B) atestando, assim, a ausência de contra-indicações para a participação na pesquisa; questionários relacionados ao grau de estresse (ANEXO C) e dor (ANEXO D) que possuíam, facilitando ao pesquisador a compreensão do estado físico e emocional de cada voluntária e o impacto da dor na vida de cada uma delas. Esse questionário é parte integrante da versão

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