28-02-2014
O LASER DE BAIXA POTÊNCIA NA ÚLCERA DIABÉTICA

FACULDADE ASSIS GURGACZ – FAG
CARLOS VANDERLEI PUKALESKI

O LASER DE BAIXA POTÊNCIA NA ÚLCERA DIABÉTICA
CASCAVEL 2008

Artigo apresentado à Disciplina de Seminário de Monografia II, como requisito parcial na conclusão do curso e obtenção do título de bacharel no Curso de Fisioterapia, pela Faculdade Assis Gurgacz-FAG.
Professor orientador: Mário José de Rezende, Ms. 
Trabalho apresentado à Banca Avaliadora como requisito parcial para a obtenção do título de bacharel em Fisioterapia, pela Faculdade Assis Gurgacz-Fag.
Trabalho apresentado no Congresso Internacional da FIEP – Foz do Iguaçu - Paraná
PUKALESKI, Carlos Vanderlei. (autor, Educador Físico )
REZENDE, Mário José de (orientador, Mestre )


RESUMO
As úlceras diabéticas normalmente apresentam grande dificuldade de cicatrização, pensando nisso que se propõe este estudo na perspectiva de identificar algum benefício no tratamento das doenças, no uso do laser 660nm de baixa potência. Considerando que a doença da diabete é uma patologia que afeta muitas pessoas ao longo de suas vidas, principalmente os idosos, é possível identificar algum benefício mais expressivo no tratamento de suas lesões vasculares no uso do lazer 660nm, que possa evitar a amputação do coto devido a úlcera. E o objetivo incide em compreender teoricamente conceitos sobre os benefícios do uso laser 660nm (20mW) de baixa potência no tratamento de pacientes idosos diabéticos.


INTRODUÇÃO
Neste estudo far-se-á uma revisão literária sobre as úlceras diabéticas e suas incidências, conceitos e benefícios do tratamento a base o laser e suas influências no processo cicatricial.


A úlcera diabética tem sua incidência normalmente pela combinação de uma situação de isquemia e neuropatia periférica. O risco de uma infecção é constante para os portadores da diabete, o que exacerba o desenvolvimento da ulceração, aumentando a incidência da amputação do membro afetado. As úlceras mais típicas de neuropatia têm sua ocorrência na superfície do pé, em áreas de pressão máxima. Embora este tipo de úlcera não doa, o paciente, normalmente, tem a sensação de queimação, parestesia na extremidade, ausência de sensação térmica e tátil superficial. 


2. Conforme Oliveira e Araújo (2006) a úlcera diabética tem sido a causa maior das amputações de membros inferiores, em decorrência especialmente da neuropatia e têm grandes chances de tornarem-se infectadas. A cicatrização de feridas é um processo complexo, envolvendo diferentes sistemas biológicos e imunológicos. Apesar dos avanços tecnológicos e os insucessos na prevenção de úlceras. O tratamento, ainda, constitui-se um desafio interdisciplinar que não deve ser subestimado, intensificando-se os esforços para superá-lo.


3. Couto, Pedrosa e Nogueira (1999) afirmam que a cicatrização passa pela fase inflamatória ou inicial, a fase fibroplasia ou proliferativa e a fase de maturação ou remodelação. 
O termo laser é um acrônimo para Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation, isto é, a amplificação da luz pela emissão estimulada da radiação. Baxter (1998) 5 denomina genericamente a laserterapia de baixa intensidade como uma terapia de laser e diodos superluminosos monocromáticos, de intensidade relativamente baixa para o tratamento de lesões e afecções. 


4. E Karu et.al. (1984a) afirma que a irradiação do laser de baixa potência em células de cultura com comprimento de onda entre 300 à 900 nm atingiu a máxima síntese de DNA e RNA, acontecendo próximos espectros de 400, 630, 680, 760 e 820 nm. Este modo de verificação no uso do laser está biotecnicamente dentro da faixa onde a fotobioativação é bem melhor.


5. O laser de baixa potência estimula a produção de ATP que proporciona um aumento da velocidade mitótica das células e o estímulo à micro circulação, aumentando o aporte de elementos nutricionais, facilitando a multiplicação de células e o efeito de neovascularização a partir de vasos já existentes, que gera condições para uma melhor cicatrização, inclusive esteticamente superior, segundo Silva, Haidar e Mussopf (1998)

 

6. A propriedade de indução fotobiológica provoca fotobiomodulação e alterações bioquímicas, bioelétricas e bioenergéticas nas células, com a exposição da radiação do laser de baixa intensidade e não apresenta capacidade ionizante, que rompa as ligações químicas (ABRAHAMSE et. al., 2006)

 

7. Seus efeitos positivos incluem o estímulo do reparo tecidual e a melhora do metabolismo oxidativo mitocondrial e da produção de energia (DESMET et. al., 2006)

 

8. Outra fonte de luz, o Diodo Emissor de Luz (LED), foi recentemente desenvolvida e pode ser utilizada em conjunto com outras tecnologias não ablativas para melhorar as respostas clínicas aos tratamentos que fazem uso da luz (FAROUK et. al, 2006)

 

9. A fotobiomodulação usando LEDs vem ganhando cada vez mais espaço, principalmente, por ser um equipamento compacto e ter custo mais acessível quando comparado aos sistemas LASERS e maior coerência quando comparados à luz convencional (MACIEL; BAGNATO, 2005)

 

10. O laser tem demonstrado uma terapia promissora no processo de cicatrização em feridas, nos últimos dez anos tem se intensificado pesquisas para ampliar as técnicas e melhorar a eficácia no processo da cura de endemias, cicatrização de feridas e diminuição da dor e problemas de saúde em geral que possam ser utilizadas na cura de pacientes. 


O laser foi utilizado num experimento com ratos, composto por três grupos com 18 participantes, os animais foram identificados e ficaram em gaiolas, o grupo GC não recebeu aplicação do laser; G4J tratado com laser na dosimetria 4j/cm2 e o G8J tratado com o laser na dosimetria 8J/cm2, após receberem a primeira aplicação foram identificados e acomodados em gaiolas semelhante ao grupo GC que não passou pela aplicação do laser. Diariamente, foram cedados via inalatória, com halotano e receberam um tratamento de higienização nas feridas com salina 0,09% de gazes estéreis e remoção da crosta, medindo-se com paquímetros as feridas e mensurando-se o diâmetro, atentando-se com a formação das bordas e ausência de flogísticos que sinalizassem uma evolução no processo de cicatrização. (VIEIRA, 2006)

 

11. Seguindo o processo experimental (VIEIRA, 2006)11 as lesões foram irradiadas em um único ponto, com a onda em laser 660nm, em média de 5 cm, com isto, utilizou-se do aparelho modelo Endophoton da KLD, com microprocessador digital, caneta inoxidável e ponta em 30º, potência 20mW (vermelho visível), com display em cristal, mediu uma área de 0,035 cm2. A avaliação e estudo foi acompanhada num período de três, sete e catorze dias, do pós-operatório. As amostras foram avaliadas á microscopia da luz, semi-quantativamente o infiltrado inflamatório, o edema, a formação das fibras e colágeno e o grau de epitelização. As feridas cutâneas, foram analisadas numa metodologia do teste T Sudent com grau de significância em 95% (P<0,05) no programa GraphPad Prism 4.0. E constatou-se que as feridas e o processo de cicatrização do grupo GC que não foi submetido ao tratamento da laserterapia, foi mais lento, bordas irregulares e perímetro profundo, enquanto que o grupo G4J e G8J, com um diâmetro médio inferior diferente do outro grupo que o processo foi bem mais acelerado que no modo tradicional.


ENCAMINHAMENTO METODOLÓGICO
Este estudo é uma pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa, ao qual se realizará um cruzamento teórico sobre úlceras diabéticas e escarras, verificando os efeitos e benefícios do laser 660nm (20MW) de baixa potência com os diferentes autores, traz uma revisão literária de diferentes autores ligados ao tema e Michel (2005)12 acredita que um estudo bibliográfico é a essência do estudo exploratório, em livros, artigos, revistas, ou seja, representa os dados primários levantados. 


DISCUSSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Levando em consideração que a úlcera diabética tem sido a causa maior das amputações de membros inferiores, decorrente da neuropatia Oliveira e Araújo vem o processo como desafio interdisciplinar não sendo subestimado intensificando-se os esforços para superá-lo, uma vez que a cicatrização das feridas é um processo complexo e envolve diferentes sistemas biológicos e imunológicos, apesar dos avanços tecnológicos e os insucessos na prevenção de úlceras.

O que vem ao encontro das proposições de Couto, Pedrosa e Nogueira, nos quais afirmam que a cicatrização passa pela fase inflamatória ou inicial, a fase fibroplasia ou proliferativa e a fase de maturação ou remodelação. E Baxter crê que estimulação da radiação dos feixes de luz de diodos superluminosos monocromáticos de intensidade do processo cicatrizacional da inflamatória à maturação e remodelação até a cura total da ferida conforme Couto, Pedrosa e Nogueira bem conjunturaram. 


Abrahamse considera um dos efeitos positivos do laser de baixa potência o estímulo do reparo tecidual, pois melhora o metabolismo oxidativo mitocondrial e a produção de energia, quimiotaxia e vascularização dentre outros importantes. O Laser de Baixa Potência (LBP) age principalmente nas organelas celulares, em especial nas mitocôndrias, lisossomas e membrana, gerando aumento de ATP e modificando o transporte iônico. 


Muitos dos autores que se fizeram presentes neste estudo acreditam que existem fotorreceptores celulares, sensíveis a determinados comprimentos de onda, que, ao absorverem fótons, desencadeiam reações químicas. Desta forma o LBP acelera em curto prazo, a síntese de ATP (Glicólise e Oxidação Fosforilativa) e em longo prazo a transcrição e replicação do DNA. Também estimula à angiogênese, acelerando a regeneração de fibras nervosas, e aumentando a produção de colágeno e ação antiinflamatória da laserterapia e ledterapia de baixa intensidade. Sendo assim, este tipo de terapia tem oferecido benefícios no tratamento de inúmeras enfermidades, não só na dermatologia, mas em toda área médica, alcançado destaque por serem recursos não invasivos, de fácil aplicação e com tempo de recuperação inferior quando comparados às técnicas terapêuticas tradicionais, é um processo bem mais acelerado.


E esta observação acima entra em consenso com o estudo experimental de Vieira que submeteu três grupos de animais a mensuração, sendo dois no tratamento do laser de baixa potência e um no processo tradicional terapêutico, constatando-se que o grupo G4J e o G8J tiveram o processo cicatrizacional mais acelerado e regular que o GC que não foi submetido a laserterapia, ficando um diâmetro mais profundo e as bordas irregulares além disso, bem mais lenta que os demais grupo.


A partir disso, acredita-se que a laserterapia no tratamento de úlceras em pacientes diabéticos, possibilita muitos benefícios de mudança do quadro necrosado para uma fase de reabilitação dos tecidos e a cicatrização na região afetada tanto se utilizando do laser de baixa potência, porém, cabe afirmar que os benefícios incidirão direta ou indiretamente de acordo com cada situação, de paciente à paciente. 


Estes aspectos podem ser definidos mais claramente dependendo do estado físico-social-emocial que o paciente se encontra serão os resultados progressivamente positivos. Estas variáveis que surgem como fatores de influência no processo de reabilitação do doente interferem na progressão ou regressão da patologia.

Obstáculos normalmente existem em qualquer situação, mas, sobretudo, quanto à pessoa se encontra debilitada e está frágil, o ambiente em que ela circunda não está adequado para o seu restabelecimento exemplo disso, os fatores higiênicos, o paciente não recebe a atenção adequada para elevar a sua baixa-estima.


Então de maneira geral, este estudo foi de grande valia enquanto aquisição de conhecimento formal científico, até mesmo no aprofundamento dos princípios de muitos autores, enquanto pesquisador, lembrando que este estudo não se fecha aqui, sobretudo, está aberto à novas contribuições para enriquecê-lo, pois o conhecimento não é algo pronto e acabado ele está em constante transformação.

REFERÊNCIAS
1 DEALEY, Carol. Cuidando de feridas: um guia para as enfermeiras. São Paulo: Atheneu, 1996.
1 ______. Cuidando de Feridas: um guia para as enfermeiras. São Paulo, Atheneu Editora, 2ª edição, 2001, capítulo 3: p. 49-65, capítulo 4: p. 68-89; cap. 9: p. 200-207. 
2 OLIVEIRA, Beatriz Guitton RB ARAÚJO Juliana de Oliveira. Clinical and morphological evaluation of cutaneous ulcer cicatrization – a prospective study Avaliação clínica e morfológica de úlceras cutâneas em cicatrização – um estudo prospectivo. Online Brazilian Journal of Nursing, Vol 5, No 3 (2006) Projeto de pesquisa desenvolvida no Hospital Universitário Antonio Pedro (HUAP), e inscrita na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação/Universidade Federal Fluminense. Aprovação CNPq 06/07/2006.
3 COUTO, Renato Camargos; PEDROSA, Tânia M. Grillo; NOGUEIRA, José Mauro. Infecção hospitalar – epidemiologia de controle. 2 ed. São Paulo: Medsi, 1999. p. 436-437.
4 KARU, T.; KALENDO, G. S.; LETOKHOV, Y.S.; LOBKO, V.V. Biostimulation of hela cells by low-intensity visible light. II – Stimulation of DNA and RNA Synthesis in a wide spectral range. Nuono Cimento, v.3, n.2, feb. 1984. p.309-318. a KARU, T.; KALENDO, G. S.; LETOKHOV, Y.S.; LOBKO, V.V. Biostimulation of hela cells by low-intensity visible light. III – Stimulation of DNA and RNA Synthesis in a wide spectral range. Nuono Cimento, v.3, n.2, feb. 1984. p.319-325.b Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste nº01-2004 ISSQN 1678-8265 58.
IBRAMED. Manual de operaçõe – aparelho laserpulse. São Paulo: Amparo, 200_.
5 BAXTER, G.D. Laserterapia de baixa intensidade. Ind: KITCHEN, S.; BANZIN, S. Eletroterapia de Clayton. 10 ed. São Paulo: Manole, 1998. p.191-210.
6 SILVA, E.C. da; HAIDAR, A.F.; MUSSOPF, D.E. Radiação laser. Ind: RODRIGUES, E; GUIMARÃES, C. Manual de recursos fisiterapêticos. s/ ed. Rio de Janeiro: Revinter Ltda, 1998. p.17-35.
7 ABRAHAMSE, H; HAWKINS, D.;. Effect of multiple exposures of low-level laser therapy on the cellular responses of wounded human skin fibroblasts. hotomedicine
and Laser Surgery. v. 24, n.6, p.705-714, 2006.
8 DESMET, D.K.; et al. Clinical and Experimental Applications of NIR-LED Photobiomodulation. Photomedicine and Laser Surgery. v.24, n.2, p.121-128, 2006.
9 FAROUK, FAROUK, A.H., et al. Polychromatic LED in Oval Full-Thickness Wound Healing in Non-diabetic and Diabetic Rats. Photomedicine and Laser Surgery. v.24, n.1, p.10-16, 2006.
10 MACIEL, V.H.; BAGNATO, V.S. O uso do LED azul no tratamento da psoríase. In:
EncoBio, 5., EESC - USP, 2005. Caderno de Resumos. São Carlos, 2005. p.54.
11 VIEIRA, Sandra Aparecida Luiz. O efeito do laser de baixa potência na cicatrização de feridas cutâneas experimentais. Franca-SP: UF, 2006. (Dissertação de Mestrado)

12 MICHEL, Maria Helena. Metodologia e pesquisa científica em ciências sociais: um guia prático para acompanhamento da disciplina e elaboração de trabalhos monográficos. São Paulo: Atlas, 2005.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
MANDELBUM, Samuel Henrique. Cicatrização: conceitos atuais e recursos auxiliares.htt://www.anaisdedermatologia.org.br/artigo.php?_id=10066 acessado em abr/2008.
ORTIZ, M.C.S.; CARRINHO, P.M.; SANTOS, A.A.; GONÇALVES, R.C.; PARIZOTTO, N.A. Laser de baixa intensidade: princípios e generalidades – Parte 1. Revista fisioterapia Brasil, v,2, n.4, jul/ago, 2001. a ORTIZ, M.C.S.; CARRINHO, P.M.; SANTOS, A.A.; GONÇALVES, R.C.; PARIZOTTO, N.A. Laser de baixa intensidade: princípios e generalidades – parte 2. Revista fisioterapia Brasil, v,2, n.6, nov/dez, 2001.

 

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